Notícias Diárias Brasil
  • Quem matou Odete
  • Cometa 3I ATLAS
  • Michele Vaz volta
  • Lei da Liberdade
Notícias Diárias Brasil
  • Quem matou Odete
  • Cometa 3I ATLAS
  • Michele Vaz volta
  • Lei da Liberdade
  • Home
  • STF julga Bolsonaro e aliados: o que está em jogo e como será o rito

STF julga Bolsonaro e aliados: o que está em jogo e como será o rito

STF julga Bolsonaro e aliados: o que está em jogo e como será o rito
2.09.2025

Um ex-presidente no banco dos réus, cinco sessões reservadas e um núcleo político-militar acusado de tentar reverter o resultado das urnas de 2022. O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu, às 9h desta terça-feira, 2 de setembro de 2025, o julgamento de Jair Bolsonaro e sete aliados sob a presidência do ministro Cristiano Zanin. O caso foi organizado para andar sem sobressaltos: provas compartilhadas entre os ministros, cronograma definido e segurança reforçada na Praça dos Três Poderes.

O processo mira o que investigadores chamam de “núcleo duro” da conspiração. Estão no polo dos réus o ex-presidente Jair Bolsonaro; o deputado Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin); o almirante Almir Garnier (ex-comandante da Marinha); Anderson Torres (ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF); o tenente-coronel Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro); e três generais que foram ministros: Augusto Heleno (GSI), Paulo Sérgio Nogueira (Defesa) e Walter Braga Netto (Casa Civil e Defesa, vice na chapa de 2022). A Procuradoria-Geral da República, chefiada por Paulo Gonet, sustenta crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Somadas, as penas podem superar 30 anos de prisão.

O que está em jogo no julgamento

O processo não trata da massa de vândalos do 8 de Janeiro, mas de quem teria planejado e coordenado a ofensiva contra o resultado eleitoral e as instituições. Segundo os autos, a acusação se apoia em três pilares: reuniões e ordens internas para desacreditar o sistema eleitoral; tentativas de envolver as Forças Armadas em uma ruptura; e o uso de estruturas do Estado para monitoramento e produção de narrativas, com menções à chamada “Abin paralela”. A defesa nega a existência de um plano, fala em atos amparados na liberdade de expressão e diz que rascunhos e conversas jamais viraram ações concretas.

Entre as peças de prova citadas estão mensagens e depoimentos do colaborador Mauro Cid, registros de reuniões no Planalto e no Alvorada após a derrota de 2022, além da “minuta” de decreto encontrada na casa de Anderson Torres — documento que, segundo investigadores, previa medidas para reverter o resultado das urnas. Os advogados dizem que a minuta nunca foi assinada, que era uma peça apócrifa e que não houve ordem para mobilização militar.

O foco em cada réu tem especificidades. Bolsonaro é acusado de liderar e incentivar o questionamento sistemático das urnas e de buscar apoio de comandos militares. Braga Netto, Heleno e Paulo Sérgio aparecem em relatos sobre reuniões e pressões de bastidores; Ramagem responde por suposto uso indevido de meios de inteligência; Garnier é citado por tratativas com militares; Anderson Torres, pela guarda da minuta; e Cid, pelo papel operacional e pelos relatos que firmou em colaboração premiada. Todos negam participação em trama golpista.

No campo jurídico, a espinha dorsal da denúncia está na Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito (Lei 14.197/2021). A abolição violenta do Estado Democrático de Direito tem pena prevista de 4 a 8 anos; o golpe de Estado, de 4 a 12 anos; a organização criminosa (Lei 12.850/2013), de 3 a 8 anos, aumentada para líderes; o dano qualificado contra patrimônio público, até 3 anos; e a destruição ou deterioração de bem tombado (Lei 9.605/1998), de 1 a 3 anos. A dosimetria pode variar por agravantes, atenuantes e pela colaboração de Cid, que pode ter benefício se o acordo for considerado eficaz.

Há, também, efeito político. Uma condenação tem peso simbólico raro — envolve um ex-presidente e generais que ocuparam o topo do governo. No plano jurídico-eleitoral, Bolsonaro já está inelegível por decisão do TSE em outro caso, mas uma condenação criminal por tentativa de golpe marca o histórico do país e redefine a linha vermelha para autoridades que tensionam as regras do jogo.

Como será o rito e o que pode acontecer

A Primeira Turma reservou cinco sessões: 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro. O ministro Alexandre de Moraes, relator, abre com a leitura do relatório e o resumo da ação penal. Em seguida, o procurador-geral Paulo Gonet tem até duas horas para expor a acusação. Depois vem a bateria de sustentações orais: oito defesas, com uma hora cada. A ordem é alfabética, mas com uma exceção relevante — Mauro Cid fala primeiro por ser colaborador premiado do caso.

Terminadas as falas, começa a votação. Moraes vota primeiro no mérito (condenar ou absolver e, se for o caso, fixar pena). A sequência será Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e, por fim, Cristiano Zanin. São cinco votos em jogo; três formam maioria. Se houver condenação, a turma define as penas de cada réu, podendo reconhecer a colaboração de Cid para reduzir sua punição. Se a maioria absolver, o processo se encerra ali.

Há uma trava possível: o pedido de vista. Qualquer ministro pode pedir mais tempo para estudar o caso, o que suspende a decisão por até 90 dias. A presidência da turma e o relator organizaram o material probatório e compartilharam dossiês para minimizar esse risco e manter o calendário.

Depois do resultado, cabem embargos de declaração para esclarecer pontos do acórdão. Como a ação tramita na instância máxima, não há “segunda instância” para reexaminar provas; eventuais questionamentos constitucionais residuais podem ser arguidos no próprio colegiado. A execução de pena em ações penais originárias costuma ocorrer após o trânsito em julgado, mas o debate sobre medidas cautelares (como uso de tornozeleira, retenção de passaporte ou proibições de contato) pode surgir de imediato, a depender do voto vencedor.

Em Brasília, o entorno do STF, do Congresso e do Planalto opera sob protocolo de segurança ampliado. Há bloqueios de vias, revista pessoal, varreduras com cães farejadores e monitoramento com drones. A Polícia Militar e a Polícia Federal acompanham redes e grupos de mobilização para prevenir atos violentos. O objetivo é garantir que o julgamento avance em normalidade institucional e com segurança para ministros, servidores e o público.

O país já assistiu a julgamentos marcantes na Corte, como o do mensalão em 2012. A diferença agora é o foco: responsabilidade penal de um ex-presidente e de cúpulas civil e militar por ataques ao Estado Democrático de Direito. A Primeira Turma, com cinco ministros, promete um desfecho mais célere que um julgamento no plenário de 11 cadeiras, mas sem perder profundidade na análise das provas e das teses defensivas.

Do lado das defesas, a estratégia deve combinar três linhas: contestar a existência de um ato inequívoco para romper a ordem constitucional; desqualificar provas obtidas em outros inquéritos como “prova emprestada” sem contraditório; e sustentar que críticas ao sistema eleitoral estão protegidas pela liberdade de expressão. A PGR, por sua vez, deve insistir na soma de indícios, na cadeia de comando e na “passagem ao ato” que conecta discursos, reuniões, minutas e tentativas de mobilizar estruturas do Estado.

Os próximos dias dirão se o colegiado vê um plano real para abolir a ordem democrática ou interpreta os fatos como retórica política e desorganização sem capacidade de execução. O que está em julgamento, no fim, é a linha entre a contestação legítima e o ataque frontal às regras que sustentam a República.

Louraine Brito
por Louraine Brito
  • Justiça
  • 14
Artigos relacionados
Vasco da Gama Alivia Torcida com Vitória Crucial no Brasileirão
25 outubro 2024

Vasco da Gama Alivia Torcida com Vitória Crucial no Brasileirão

Leia Mais
Palmeiras Reforçado pela Volta de Estêvão em Confronto Crucial contra o Juventude no Brasileirão 2024
20 outubro 2024

Palmeiras Reforçado pela Volta de Estêvão em Confronto Crucial contra o Juventude no Brasileirão 2024

Leia Mais
São Paulo eliminado da Copa Libertadores 2025 após derrota no Morumbí
27 setembro 2025

São Paulo eliminado da Copa Libertadores 2025 após derrota no Morumbí

Leia Mais

Avaliações

fabricio caceres
por fabricio caceres em setembro 4, 2025 at 06:38
fabricio caceres

Isso é sério, mano.

wellington pereira
por wellington pereira em setembro 4, 2025 at 08:17
wellington pereira

Se o Bolsonaro tivesse feito isso em qualquer outro país, já tava na cadeia há anos. Mas aqui, a gente ainda discute se foi só "retórica"... sério mesmo?

joao felipe oliveira
por joao felipe oliveira em setembro 5, 2025 at 08:53
joao felipe oliveira

Essa defesa de "liberdade de expressão" é ridícula. Quem planeja derrubar a democracia com minutas e reuniões secretas não tá falando, tá operando. E esses generais? Tiveram a chance de dizer não e escolheram o lado errado. Isso não é política, é traição.

Juliana Andrade
por Juliana Andrade em setembro 5, 2025 at 14:56
Juliana Andrade

Eu tô aqui com os olhos cheios de lágrimas, sério. Depois de tudo que a gente viu em 2022, ver isso sendo julgado de verdade... é como se o país finalmente estivesse respirando. Não é só sobre Bolsonaro, é sobre o que a gente permite que aconteça. Se a gente não botar um ponto final nisso, vai virar norma. E eu não quero que meus filhos cresçam num país onde o presidente pode dizer que a eleição foi fraude e ninguém faz nada. 😔

Paulo Ricardo
por Paulo Ricardo em setembro 5, 2025 at 20:20
Paulo Ricardo

O processo parece bem estruturado, com cronograma definido e provas compartilhadas. Isso é positivo, pois evita atrasos e garante transparência. A presença de segurança reforçada também é compreensível, dada a tensão histórica envolvida. Ainda assim, é preocupante que o debate público continue polarizado, mesmo diante de evidências concretas.

eduardo sena
por eduardo sena em setembro 6, 2025 at 16:22
eduardo sena

Se quiserem entender o que tá em jogo, é só olhar pra Lei 14.197/2021. Ela foi feita justamente pra isso: punir quem tenta derrubar a democracia por dentro. A defesa tá tentando transformar conspiração em rascunho, mas a soma dos indícios é enorme. Mensagens, reuniões, minuta, colaboradores... isso não é coincidência, é cadeia de comando. E o Cid, mesmo sendo o mais fraco do grupo, tá sendo o mais importante da prova.

Pr. Nilson Porcelli
por Pr. Nilson Porcelli em setembro 7, 2025 at 21:02
Pr. Nilson Porcelli

Como pastor, vejo isso como um momento de consciência nacional. A democracia não é só voto, é respeito. Quando líderes usam a fé, o exército e a informação pra enganar o povo, isso é pecado. Não importa o partido, isso é contra o amor ao próximo. Que o STF julgue com justiça, e que a gente aprenda a não deixar que o ódio se disfarce de patriotismo.

Andressa Ferreira
por Andressa Ferreira em setembro 8, 2025 at 04:51
Andressa Ferreira

É fundamental reconhecer que a integridade institucional não é um mero detalhe técnico, mas o alicerce sobre o qual repousa a convivência civilizada em sociedades pluralistas. A ausência de sanções efetivas a atos de subversão constitucional configura uma falha estrutural que, se não corrigida, pode desestabilizar a legitimidade do sistema democrático como um todo.

nathalia pereira
por nathalia pereira em setembro 9, 2025 at 09:02
nathalia pereira

A democracia é como uma flor. Se ninguém a rega, ela morre. E agora estamos vendo se alguém vai regar.

Joaci Queiroz
por Joaci Queiroz em setembro 11, 2025 at 03:23
Joaci Queiroz

Essa defesa de "não houve ação concreta" é uma piada. Se você escreve um decreto pra anular eleição, e o guarda na gaveta, isso não é plano? É só falta de coragem de executar. Eles sabiam o que queriam. E se não fizeram, foi por medo, não por inocência. O STF tem que mandar um recado: não adianta só planejar, se você não executa, você ainda é culpado.

maicon amaral
por maicon amaral em setembro 12, 2025 at 19:53
maicon amaral

Na verdade, o cerne da questão transcende a dimensão jurídica e se insere no paradigma da epistemologia do poder: quando a narrativa é monopolizada por estruturas estatais, e a dissidência é patologizada como subversão, o que se tem não é um Estado de Direito, mas uma máquina de legitimação autoritária. A minuta não é prova de golpe - é sintoma de um sistema que permite a construção de contranarrativas como armas de guerra institucional.

Davi Informatica
por Davi Informatica em setembro 13, 2025 at 23:21
Davi Informatica

Quem lê os autos com atenção vê: não é só um caso. É um teste. Se o STF condena, manda mensagem: democracia tem limite. Se absolve, manda: tudo vale. E isso afeta todos nós. Não é só sobre Bolsonaro. É sobre o que a gente permite.

Myriam Ribeiro
por Myriam Ribeiro em setembro 15, 2025 at 10:19
Myriam Ribeiro

eu só quero que as pessoas lembrem que por trás de cada nome aí tem um filho, uma mãe, um vizinho... isso não é só política, é vida. espero que a gente saia disso com mais compaixão, não mais ódio 🤍

João Marcos Rosa
por João Marcos Rosa em setembro 16, 2025 at 14:32
João Marcos Rosa

Se o STF absolver, o país perde. Se condena, o país começa a se curar. Não há meio-termo. A democracia não se defende com discursos, se defende com decisões. E essa decisão, aqui e agora, vai definir se a gente é uma nação que respeita suas regras - ou apenas as usa quando convém. A história vai lembrar desse momento. E nós? Vamos poder olhar nos olhos dos nossos filhos e dizer que fizemos a coisa certa?

Escreva um comentário

Categorias

  • Esportes
  • Entretenimento
  • Política
  • Esporte
  • Economia
  • Cultura
  • Notícias
  • Música
  • Educação
  • Clima

Últimas postagens

Vasco da Gama Alivia Torcida com Vitória Crucial no Brasileirão
Palmeiras Reforçado pela Volta de Estêvão em Confronto Crucial contra o Juventude no Brasileirão 2024
São Paulo eliminado da Copa Libertadores 2025 após derrota no Morumbí
Itália Derrota Bélgica e Avança nas Quartas da UEFA Nations League
Resultado do Sorteio da Mega Sena 2757: Prêmio Acumula e Alcança R$ 43 Milhões

Arquivos

  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
Notícias Diárias Brasil

Menu

  • Sobre Nós
  • Termos de Serviço
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • LGPD
© 2026. Todos os direitos reservados.